Para reflectir: Economia do Bem Comum
Tive hoje o grato prazer de ver o vídeo que a seguir reproduzo.
À primeira vista poderá parecer - mais uma vez - um daqueles discursos utópicos e inconsequentes típico dos "gajos de esquerda", grupo ao qual sou cada vez mais, provocadoramente, associado. Enfim, já uma vez o disse, essa dicotomia da direita e da esquerda há muito que está ultrapassada. Mas depois vê-se a falar um antigo vice-presidente da bolsa de valores de Paris, ou seja, alguém que conhece de perto o âmago do sistema capitalista; mais tarde vê-se um fundador do Partido Popular espanhol, alguém que privou com Fraga Iribarne e que hoje desanca com legitimidade aqueles para quem a política tem muito mais a ver com o bem privado dos próprios do que com o bem público (ou, comum, se quiserem). O documentário termina a falar de um banco que reclama orientar a sua acção em função de valores éticos.
Enfim, não me confesso declaradamente adepto de tudo quanto aqui é referido, mas devo confessar que me revejo naquilo que é essencial. Destaco, por isso, dois momentos:
O discurso soberbo (por volta do minuto 18) de um fundador do Partido Popular que abandonou a vida partidária por volta do ano 2000, precisamente quando o seu partido de sempre logrou chegar ao poder. A clarividência que revela e o desassombro como classifica as lutas fratricidas dentro dos próprios partidos é absolutamente reveladora. Eu, que sou militante de um partido e que já desempenhei funções dirigentes – ao nível regional – dentro desse partido, posso testemunhar que me revejo na denúncia da existência de uma profunda crise de valores que atinge muitos dirigentes partidários, os quais estão na política activa pelas razões erradas. De que na política também existem pessoas de bem não tenho qualquer dúvida, todavia, sou forçado a admitir, que aqueles que militam por verdadeiras causas não são sequer a maioria, quer porque são abatidos por golpes baixos quer porque os seus princípios morais os impedem de retribuir na mesma moeda, preferindo afastar-se do exercício activo da política a serem coniventes com práticas de todo repugnantes.
Igualmente interessante – um pouco antes do minuto 30 – é o discurso da alcaidessa de Torrelodones. Essa senhora constitui um exemplo de transparência, reduziu mordomias, eliminou os staffs de não eleitos e conseguiu gerar um superavit superior a 5 milhões de euros no decurso do primeiro ano de mandato. Prescindiu da viatura oficial e aceitou – sem nenhuma imposição de uma qualquer Troika – reduzir o vencimento oficial dos eleitos em 20%. Um bom exemplo.